Várzea Alegre – Vice-prefeito publica carta aberta

Por Miguel Marcelo, Mais Várzea Alegre • 23/02/2016 às 19:25

Em sua página pessoal no facebook, por volta das 17h00 de hoje, terça-feira (23), o vice prefeito de Várzea Alegre, Pablo Rolim do (PTN), publicou uma carta aberta ao povo da nossa cidade, no texto, o Vice destaca a atual situação do seu grupo político.

Confira:

“CARTA AO POVO DE VÁRZEA ALEGRE.

A situação que vejo passar o grupo político do qual faço parte me preocupa e me deixa inquieto.

Desde o início da gestão percebi que muitas atitudes e posicionamentos tomados não contribuíram à unidade e harmonia daqueles que trilharam um caminho único e apresentaram uma proposta política para o nosso município na campanha de 2012.

Agora vejo que o grupo dividiu-se e resolveu seguir por diferentes caminhos sinuosos que nos levarão a um resultado quase que sem volta. Digo “quase” porque ainda vislumbro uma solução para isso com muita esperança e otimismo para o bem do futuro de nossa cidade.

Futuro este que irá depender exclusivamente de nós como aliados. Proseguiremos em caminhos diferentes e guardaremos a mágoa e o rancor de atitudes que prejudicaram a todos e não a um só diretamente atingido? Ou buscaremos o diálogo sério e sem amarras, “passando uma borracha” naquilo que afetou qualquer um de nós? Qual o melhor caminho quando se pensa e se coloca em primeiro lugar nossa cidade?

Qual benefício o povo de Várzea Alegre teria com a cisão de um time de homens e mulheres de bem que tanto fizeram por nossa cidade nesses últimos anos?

O futuro nos aguarda. Um novo tempo de governar se apresenta, com menos recursos financeiros para as prefeituras e com mais responsabilidades para os gestores. Será necessário mais empenho, mais inteligência e mais cooperação para que apliquemos bem o dinheiro que é disponibilizado às prefeituras.

Os homens públicos deverão buscar ferramentas mais modernas de gestão, usando tecnologia da informação e a inovação como alicerces de um setor que cada dia exigirá mais conhecimento.

A era das grandes obras como indicador de eficiência de um gestor já passou. Isso não quer dizer que não haverão novas escolas, creches, hospitais, etc. Sempre existirá a necessidade de construir novos espaços, pois as cidades crescem. O que prevejo é a chamada “gestão eficaz e moderna”, onde a eficiência na aplicação de recursos para o custeio e manutenção dos nossos equipamentos, serviços e pessoal e a capacitação e valorização do servidor serão as principais preocupações de um prefeito e sua equipe.

Durante esse período em que tenho a honra de ser vice-prefeito de minha cidade, busquei ao máximo desempenhar minha função da maneira mais discreta possível, sendo um aliado fiel e pronto para agir quando autorizado para tal, acompanhando a administração em todas as suas ações e posicionamentos políticos, dentre eles a eleição para governador em 2014.

Porém, vejo que muitas das minhas expectativas e projetos não se tornaram realidade. Sem querer aqui apontar culpados, sinto que o potencial que desenvolvi durante toda minha vida não foi usado.

Longe estou de querer fazer aqui o famoso “desabafo do vice”. Não quero isso de maneira alguma. Nem mesmo estou aqui para julgar os atos do atual prefeito, que na minha opinião até agora tem feito uma gestão séria e bem intencionada.

O que quero refletir é sobre o que poderia ser feito. Sobre as oportunidades que deixamos passar durante todo esse tempo, seja em projetos na área de energias renováveis, por exemplo; na implementação de novas ferramentas de gestão pública; na aplicação de um novo projeto de urbanismo em Várzea Alegre, entre eles o projeto do Novo Mercado Público ou até mesmo no experimento de novas formas de reforçar a capacidade de geração de receita de nosso município. Sobre as promessas de campanha, será que nos esforçamos o bastante para cumpri-las? E as viagens a Brasília e Fortaleza, foram suficientes e/ou eficientes? O tempo dedicado à gestão foi satisfatório?

São essas as perguntas que não saem de minha cabeça um só minuto e afirmo não querer de forma alguma me posicionar como isento de qualquer responsabilidade sobre aquilo que foi prometido em campanha.

Na posição de membro de um partido, o PTN, que fez parte da aliança em 2012, vi que apesar de haver promessas de existir uma gestão a quatro mãos, não foi dada à sigla qualquer posição de relevância na administração, seja na coordenação de qualquer projeto ou ação, ou na indicação de composição de secretariado ou de qualquer cargo de confiança.

Desta feita, tornou-se difícil contribuir de qualquer modo para o funcionamento da máquina administrativa e tentar implementar as ideias que tanto vislumbramos como partido político.

Queria ter doado mais do meu tempo à cidade, mas o grau de dedicação à uma causa é proporcional ao espaço que se é dado para participar dela ativamente. Tempo pra mim é algo precioso e procuro usá-lo da maneira mais eficiente possível e infelizmente não pude aplicá-lo em prol da minha gente pelo simples fato de não ter a oportunidade devida.

A minha maior preocupação não pousa em questões rotineiras e obrigações de qualquer gestor. Minha obsessão mira naquilo que podemos fazer melhor. Na oportunidade que poderíamos oferecer a novos talentos, novas cabeças que aliem não só experiência mas vontade de fazer diferente.

Deixo registrado nesse manifesto todo o meu respeito ao prefeito municipal e a toda a sua equipe, desde o secretariado até cada um dos colaboradores que fazem parte do governo. Deles recebi muito respeito e simpatia. Desejo a todos que desempenhem bem suas funções de servidores públicos até o fim do mandato.

Esclareço também que esta é uma posição pessoal e que não representa a opinião do PTN perante o governo, cabendo a direção do partido analisar a situação que agora chamo ao debate.

Agradeço todos os votos recebidos em 2012 e principalmente àqueles que votaram e depositaram confiança diretamente em mim, bem como o respeito e carinho que recebi de toda a população de minha cidade.

Confesso que hoje não me sinto mais com o mesmo entusiasmo de 2012 de buscar representar a minha cidade como vice-prefeito a partir de 2017. Sinto também que não é necessário um cargo público para fazer o bem por uma comunidade e percebi acima de tudo, com a dor de uma experiência frustrante, que melhor do que esperar que os outros façam é fazer você mesmo.

Amo e respeito minha terra, Várzea Alegre.

23 de Fevereiro de 2016.

Pablo Oliveira Rolim

 

Vice-prefeito de Várzea Alegre”

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